Olhando lá para fora, o mundo sempre pareceu ao homem dominado pelos verdes das plantas e pelos azuis da abóbada celeste. Chegados a 2017, ele está, na verdade, impregnado na sua totalidade pela cor vermelha: a cor do perigo. Em 2016, foram vários os avisos dos mais reputados cientistas de que a Terra pode já ter ultrapassado a sua capacidade regenerativa, tamanho o mal que uma espécie de símios bípedes lhe provocou. Tanto que, já desde os anos 80 do século passado, Eugene Stoermer propôs o termo «antropoceno» para que se percebesse, de uma vez por todas, a capacidade que o Homo sapiens possui de alterar os sistemas ecológicos e até a própria geologia do seu planeta natal. É por isso que temos de olhar as fotografia do projecto Bravio, de Paulo Alegria, não como uma chamada de atenção, mas como uma nova procura — que se assemelha já mais a uma demanda — por espaços que nos oferecem pequeníssimas vitórias da natureza sobre aquilo que a humanidade construiu. São momentos preciosos de captura, a maioria deles efémeros, nos quais reconhecemos que, apesar de tudo, se nos esforçarmos mais um pouco e deixarmos correr a nossa liberdade na seiva das árvores e no murmúrio das eternas águas, seremos capazes de recolher destas imagens a verdadeira essência da cor verde: a da esperança. (Raul Pereira, 2017)